segunda-feira, 4 de agosto de 2014

CHICOTE - a exploração e tortura sistemática dos animais ditos "de tração"


  • Reproduzo, abaixo, texto de Sonia T. Felipe, acerca da realidade diária sofrida pelos animais ditos "de tração" (cavalos, burrinhos e jumentos, sobretudo), a quem é negada sua própria individualidade e natureza, tratados que são como "máquinas" à disposição do homem. 
  • Mesmo máquinas teriam melhor tratamento, afinal necessitam e recebem manutenção apropriada, de forma a justificar o investimento financeiro anteriormente feito quando de sua aquisição. 
  • Não se trata de uma realidade que sequer exclusivamente aconteça nos remotos confins do interior, em lugares extremamente pobres, como você talvez imagine. Aqui mesmo em Paquetá, Rio de Janeiro, tal exploração hedionda é objeto de "diversão" para os visitantes. 
  • Nem o lançamento dos dejetos das cocheiras imundas destes pobres animais na Baía de Guanabara, às vésperas do "banho de merda" a que serão submetidos os atletas olímpicos em 2016, parece ser motivo suficiente para que as "autoridades" tomem vergonha na cara e acabem com esta tortura injustificável, uma vez que projetos de carrinhos elétricos __ ecológica e eticamente corretos __ já foram apresentados e são economicamente viáveis, além de assegurar ocupação para os hoje "charreteiros" da região. 
  • Qual será o prazer em insistir em práticas medievais e inaceitáveis? 
  • Qual será o prazer em torturar? 
  • Que reais motivos levariam a administração pública a manter estes antros de tortura e foco potencial de doenças e desequilíbrio ambiental? Há muito já passamos de situações argumentáveis. 
  • Hoje temos apenas o DEBOCHE descarado como resposta dos encarregados de gerir esta e tantas outras situações éticas e de interesse da população.                                                                                                                                                                       Norah

  • CHICOTE 
  • Sônia T. Felipe 

  • É pelo golpe do chicote que o forçam a mover-se. Desde jovem. Escravizado. Passa o dia puxando a carroça carregada. Os cascos firmam-se contra o asfalto, resvalam nos paralelepípedos plantados de forma irregular, as lajotas deslocadas de seu berço, as poças d’água, as pedras que o fazem torcer a pata. E ele evoluiu para galopar nos prados...                                                                                                                                       O peso é descomunal. O da carroça, feita de madeira maciça, e o das rodas, feitas de ferro. Mas isso ainda não é tudo, não basta para os humanos que o mantêm na condição de refém, de escravo. Há mais peso ali, acrescentado ao da carroça. Ora é carga inerte, tijolo, telha, entulho, lixo. Ora é carga viva. E não é pouca.                                                   Cinco, seis, oito humanos se acomodam nos assentos, tagarelas, aproveitando ao máximo o conforto da “carruagem”. Sobem nela e sentam-se ali, como se estivessem em sua sala de visitas, sentados em seus sofás. Sentam-se, felizes, porque ali a sala os leva a passear, como num passe de mágica, e a tela não é de dois palmos, é amplíssima e eles são levados por dentro dela a passear.                                                                   
  • Não há ruído de motor de tração. A tração é silenciosa. Se há algum ruído, ele vem do atrito das patas do cavalo sobre o asfalto, as lajotas, os paralelepípedos, as pedras, as poças e buracos da rua. E os cavalos puxam esse peso todo, que equivale ao, ou excede em muito, seu próprio peso. E eles o puxam o dia todo.                                                         O sol está forte. O calor desidrata. Mas ninguém está passeando ali para se preocupar com a sede ou com o cansaço do cavalo. Todo mundo se aboleta na carroça para curtir o passeio, as férias, para divertir-se. E o fazem à custa do tormento do cavalo. Atado em aparatos de ferro, a começar pelo que lhe atravessam sob a língua, órgão usado como sensor dos desejos do boleeiro. Puxando o “freio” posto sob a língua do animal, o machucam, o fazem sentir dor. Então, pela dor da puxada do freio, o animal para.       Uma dor ainda está ali, quando a outra lhe é provocada. É preciso que ele saiba que agora precisa retomar a marcha pesada, puxando a carga humana. E, atormentado pela dor dos músculos exauridos, pela desidratação, pela fome, pelas ligas de ferro e couro que o atam à carroça, o cavalo recebe um guascaço sobre o lombo, dado com um chicote feito de tiras de couro, trançadas, ou não.                                                                            
  • E o golpe desse chicote sobre seu couro o faz arrancar num impulso. Não porque tenha entendido o desejo do carroceiro, mas porque a dor é imensa e não há como ficar parado ao sofrer o golpe. Obviamente, por estar amarrado fortemente à carroça carregada de humanos, ao tentar fugir, nesse impulso que o leva a buscar não sofrer outra vez o mesmo golpe de chicote, o cavalo puxa a carroça para frente. E segue puxando-a, pois se esmorecer levará outro golpe. Os carroceiros fazem isso a ele todos os dias, o dia todo, por toda sua vida, com o apoio da lei e o gozo dos usuários. 
  •  E, ao final do dia, ao ser liberado das amarras para passar a noite, sofre novos castigos. Ou é a comida que não vem, ou vem pouca. Os remédios para aliviar a dor dos machucados, dos golpes de chicote e das feridas das correias que amarram seu corpo ao artefato pesado que foi forçado a puxar, a dor das atrofias articulares, dos tendões lesados, dos nervos em frangalhos, dos músculos enrijecidos, o alívio dessas dores, nunca vem, remédios para elas, não, também. 
  • E esse cavalo que levou gente bem vestida e perfumada a passear pela cidade que o escraviza tem que dormir sem conforto algum, sobre seus excrementos e urina não retirados dali enquanto ele seguiu mais uma jornada de sofrimento. 
  • No silêncio da noite fria, ventosa, úmida, quente, cheia de mosquitos, moscas, excrementos, fome, sede, cansaço, reverbera o relincho que esse animal já não consegue dar. Quebraram sua vontade. Quebraram sua altivez. 
  • Na manhã seguinte, ele voltará a ser amarrado à carroça e a puxará para levar turistas em festas, em férias, em folga, em liberdade, mas seu pescoço já não consegue mais erguer-se, e não porque ele goste de olhar para o chão, mas porque algo está errado com suas articulações, seus nervos e tendões. Mas ninguém o vê. Ninguém presta atenção nele, ao subir para o assento da carroça. É tradição. 
  • Ninguém vê a dor que causa ao cavalo que o leva a deslizar sobre paralelepípedos, lajotas, buracos, pedras, poças d’água, asfalto em brasa. Ninguém vê nada. E ninguém se admira que o animal já não relinche. Relinchar é falar. Falar, para quem? Doer e resignar é o que nossa liberdade de escravizar cavalos deixa para eles. Resignar, em vez de relinchar. Mas isso vai acabar! Já não há perdão para tanta barbárie em nome da tradição e do turismo!



(postagem originalmente feita por Sonia T. Felipe como status no Facebook)

domingo, 23 de março de 2014

A verdade sobre a experimentação em animais dos cosméticos no Brasil.


Será que ser brasileiro implica em ser tratado como otário?:  a verdade sobre a experimentação em animais dos cosméticos no Brasil.

Norah André

Uma mentira, ainda que mil vezes repetida, jamais se torna uma verdade, digam o que o Goebbels e o nazismo disserem.
 No Brasil, parece que acham que nós, cidadãos, devemos aceitar a DESinformação como natural.
Mentir, encobrir, despistar, enganar são realidades do dia a dia, quando se trata de emitir pareceres e "esclarecimentos" solicitados por nós. 
Como aqui dificilmente alguém se dá ao trabalho de ir conferir as tais "declarações esclarecedoras", a mentira e as falsas informações acabam sendo aceitas como "verdades tranquilizadoras".
Mesmo quando isto implica em estarmos sendo sistematicamente desinformados e levados, assim __ o que é muito mais grave __, a nos tornarmos coniventes com o genocídio animal sistemático, praticado a título de "ciência" ou de "proteção ao consumidor". 
 Aqueles poucos de nós __ pouquíssimos, diga-se de passagem __ que estão de fato preocupados em fazer escolhas conscientes, evitando comprar produtos testados em animais (e com isto subsidiar o extremo abuso de que milhões de animais são vítimas anualmente, normalmente recorrem a sites que trazem listagens de fabricantes de produtos supostamente "cruelty free". 
Nada mais equivocado. 
Infelizmente os produtos assim listados, o são exclusivamente com base nas declarações dos próprios fabricantes. Fosse este um "país sério", estes saberiam da gravidade de prestar informações enganosas, já que tais declarações mentirosas seriam passíveis de processos legais milionários, uma vez que burlam __ não apenas a ética __ mas o próprio direito do consumidor. 
Infelizmente, entretanto, a maioria de nós prefere "mentiras reconfortantes" a fatos objetivos com os quais terá que lidar. 
 Consultado o site da ANVISA, órgão encarregado de "fiscalizar" e "zelar" pela saúde do consumidor, o que encontramos é uma realidade bem diferente. 
Não à toa, poucos fabricantes se comprometem com declarações por escrito nas embalagens dentro das quais vendem seus produtos. 
Porque será? 
Vejamos.
 O máximo que dispomos, hoje no Brasil, é de classes de produtos __ e NÃO de toda uma linha de produtos fabricados por determinada empresa __ que estão isentos da "necessidade" de testes em animais. Abaixo veremos a distinção estabelecida entre produtos cosméticos e de higiene considerados pela Anvisa como sendo de "Risco I" ou de "Risco II". 
Os primeiros __ os chamados produtos de Risco I __ estão isentos, por força das leis prevalentes hoje, da obrigatoriedade de testagem em animais. Já aqueles listados como sendo de "Risco II", obrigatoriamente são objeto de uma " testagem": leia-se, com todas as letras, obrigatoriamente sujeitos à experimentação em animais. 
Para aqueles pouquíssimos de nós que já se deram ao trabalho de escrever para empresas cujos produtos são tratados, "de boca", como não sendo testados em animais, fica claro como tais empresas ficam "sem jeito" nas respostas que dão, normalmente recorrendo a a afirmações do tipo "não sei", "não podemos responder pelo que se passa nos laboratórios", "a metodologia dos testes pertence ao laboratórios e não à empresa, não temos autorização para divulgar o serviço de outras empresas. “ ... 
Fantástico, não? 
Desrespeito e deboche levados ao extremo ..... 
Cadê o meu nariz de palhaço? .... (de tanto usá-lo neste país, já não sei onde deixei ... Tenho que me lembrar de comprar mais uma dúzia ...)


PRODUTOS DE RISCO 1 E 2 - classificação da ANVISA 

Os critérios utilizados pela ANVISA para esta classificação foram definidos, afirma ela, em função da probabilidade de ocorrência de efeitos não desejados devido ao uso inadequado do produto, sua formulação, finalidade de uso, áreas do corpo a que se destinam e cuidados a serem observados quando de sua utilização. 
Assim, listados na categoria Risco I, estariam os produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes que se caracterizam por possuírem propriedades básicas ou elementares, "cuja comprovação não seja inicialmente necessária e não requeiram informações detalhadas quanto ao seu modo de usar e restrições de uso, devido às características intrínsecas do produto". 
Já na categoria de Risco II, estariam os demais, ou seja aqueles para os quais os tais "testes pré-clínicos", realizados em laboratórios, são uma exigência legal hoje. Dito de outra forma: produtos para os quais obrigatoriamente exige-se a experimentação em animais. Ou seja, TUDO AQUILO que não está listado como sendo de Risco I. 
Só para citar alguns poucos: tinturas permanentes ou não, água oxigenada, bloqueadores solares solares, batons e brilhos labiais, blush etc. Nos termos da ANVISA, estes seriam produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes que "possuem indicações específicas, cujas características exigem comprovação de segurança e/ou eficácia, bem como informações e cuidados, modo e restrições de uso. 
Já procurou (e colocou) o seu nariz de palhaço? 

Abaixo, relaciono as categorias listadas como pertencentes aos grupos de Risco I e II, conforme estabelecido pela agência reguladora brasileira, a ANVISA. 

Produtos listados como sendo de RISCO I pela ANVISA
(ou seja, para os quais "dispensa-se" legalmente a experimentação em animais) 

Observe-se que a experimentação animal não é proibida, apenas "dispensada", o que implica em que o fabricante "pode" fazê-la, caso assim queira. Portanto, não temos qualquer garantia que a experimentação animal não seja utilizada, dependendo da decisão do fabricante.
1 Água de colônia, Água Perfumada, Perfume e Extrato Aromático. 
2 Amolecedor de cutícula (não cáustico). 
3 Aromatizante bucal. 
4 Base facial/corporal (desde que sem finalidade fotoprotetora). 
5 Batom labial e brilho labial (desde que sem finalidade fotoprotetora). 
6 Blush/Rouge (desde que sem finalidade fotoprotetora). 
7 Condicionador/Creme rinse/Enxaguatório capilar (exceto os com ação anti queda, anticaspa e/ou outros benefícios específicos que "justifiquem" comprovação prévia). 
8 Corretivo facial (desde que sem finalidade fotoprotetora). 
9 Creme, loção e gel para o rosto (desde que sem ação fotoprotetora da pele e com finalidade exclusiva de hidratação). 
10 Creme, loção, gel e óleo esfoliante ("peeling") mecânico, corporal e/ou facial. 
11 Creme, loção, gel e óleo para as mãos (desde que sem ação fotoprotetora, bem como sem indicação de ação protetora individual para o trabalho ou como equipamento de proteção individual - EPI - e com finalidade exclusiva de hidratação e/ou refrescância). 
12 Creme, loção, gel e óleos para as pernas (desde que com finalidade exclusiva de hidratação e/ou refrescância). 
13 Creme, loção, gel e óleo para limpeza facial (exceto aqueles para pele acnéica). 
14 Creme, loção, gel e óleo para o corpo (exceto os com finalidade específica de ação antiestrias, ou anticelulite, e desde que sem ação fotoprotetora da pele e com finalidade exclusiva de hidratação e/ou refrescância). 
15 Creme, loção, gel e óleo para os pés (apenas aqueles com finalidade exclusiva de hidratação e/ou refrescância). 
16 Delineador para lábios, olhos e sobrancelhas. 
17 Demaquilante. 
18 Dentifrício (exceto os com flúor, os com ação anti placa, anticárie, antitártaro,bem os com indicação para dentes sensíveis e os clareadores químicos). 
19 Depilatório mecânico/epilatório. 
20 Desodorante axilar (exceto os com ação antitranspirante). 
21 Desodorante colônia. 
22 Desodorante corporal (exceto desodorante íntimo). 
23 Desodorante pédico (exceto os com ação antitranspirante). 
24 Enxaguatório bucal aromatizante (exceto os com flúor, ação anti-séptica e antiplaca). 
25 Esmalte, verniz, brilho para unhas. 
26 Fitas para remoção mecânica de impureza da pele. 
27 Fortalecedor de unhas. 
28 Kajal. 
29 Lápis para lábios, olhos e sobrancelhas. 
30 Lenço umedecido (exceto os com ação anti-séptica e/ou outros benefícios específicos que "justifiquem a comprovação prévia" em animais). 
31 Loção tônica facial (exceto aquelas para pele acneica). 
32 Máscara para cílios. 
33 Máscara corporal (desde que com finalidade exclusiva de limpeza e/ou hidratação). 
34 Máscara facial (exceto aqueles com indicação específica para pele acneica, peeling químico e/ou outros benefícios específicos que "justifiquem" os testes em animais) 
35 Modelador/fixador para sobrancelhas. 
36 Neutralizante para permanente e alisante. 
37 Pó facial (desde que sem finalidade fotoprotetora). 
38 Produtos para banho/imersão: sais, óleos, cápsulas gelatinosas e banho de espuma. 
39 Produtos para barbear (exceto os com ação anti-séptica). 
40 Produtos para fixar, modelar e/ou embelezar os cabelos: fixadores, laquês, reparadores de pontas, óleo capilar, brilhantinas, mousses, cremes e géis para modelar e assentar os cabelos, restaurador capilar, máscara capilar e umidificador capilar. 
41 Produtos para pré barbear (exceto os com ação anti-séptica). 
42.Produtos pós barbear (exceto os com ação anti-séptica). 
43 Protetor labial sem fotoprotetor. 
44 Removedor de esmalte. 
45 Sabonete abrasivo/esfoliante mecânico (exceto aqueles com ação anti-séptica ou esfoliante químico). 
46 Sabonete facial e/ou corporal (exceto os com ação anti-séptica ou esfoliante químico). 
47 Sabonete desodorante (exceto os com ação anti-séptica). 
48 Secante de esmalte. 
49 Sombra para as pálpebras. 
50 Talco/pó (exceto os com ação anti-séptica). 
51 Xampu (exceto os com ação anti queda, anticaspa e/ou outros benefícios específicos que "justifiquem" a comprovação prévia em testes pré-clínicos). 
 52 Xampu condicionador (exceto os com ação anti queda, anticaspa e/ou outros benefícios específicos que "justifiquem" comprovação prévia através de testes em animais). 

 Produtos listados como sendo de Risco II pela ANVISA 

Ou seja, OBRIGATORIAMENTE submetidos a ensaios de testagem em animais. 
1 Água oxigenada 10 a 40 volumes (aí incluídas as cremosas, com exceção das de uso medicinal). 
2 Antitranspirante axilar. 
3 Antitranspirante pédico. 
4 Ativador/ acelerador de bronzeado. 
5 Batom labial e brilho labial infantil. 
6 Bloqueador Solar/anti-solar. 
7 Blush / rouge infantil. 
8 Bronzeador. 
9 Bronzeador simulatório ("instantâneo"). 
10 Clareador da pele. 
11 Clareador para as unhas químico. 
12 Clareador para cabelos e pelos do corpo. 
13 Colônia infantil. 
14 Condicionador anticaspa/anti queda 
15 Condicionador infantil. 
16 Dentifrício anticárie. 
17 Dentifrício anti placa 
18 Dentifrício anti tártaro. 
19 Dentifrício clareador / clareador dental químico.
20 Dentifrício para dentes sensíveis. 
21 Dentifrício infantil. 
22 Depilatório químico. 
23 Descolorante capilar. 
24 Desodorante antitranspirante axilar.
25 Desodorante antitranspirante pédico. 
26 Desodorante de uso íntimo. 
27 Enxaguatório bucal anti placa. 
28 Enxaguatório bucal anti séptico. 
29 Enxaguatório bucal infantil. 
30 Enxaguatório capilar anticaspa/anti queda. 
31 Enxaguatório capilar infantil. 
32 Enxaguatório capilar colorante / tonalizante. 
33 Esfoliante "peeling" químico. 
34 Esmalte para unhas infantil. 
35 Fixador de cabelo infantil. 
36 Lenços Umedecidos para Higiene infantil. 
37 Maquiagem com foto protetor. 
38 Produto de limpeza/ higienização infantil. 
39 Produto para alisar e/ ou tingir os cabelos. 
40 Produto para área dos olhos (exceto os de maquiagem e/ou ação hidratante e/ou demaquilante). 
41 Produto para evitar roer unhas. 
42 Produto para ondular os cabelos. 
43 Produto para pele acneica. 
44 Produto para rugas. 
45 Produto protetor da pele infantil. 
46 Protetor labial com foto protetor. 
47 Protetor solar. 
48 Protetor solar infantil. 
49 Removedor de cutícula. 
50 Removedor de mancha de nicotina químico. 
51 Repelente de insetos. 
52 Sabonete anti-séptico. 
53 Sabonete infantil. 
54 Sabonete de uso íntimo. 
55 Talco /amido infantil. 
56 Talco/pó anti séptico. 
57 Tintura capilar temporária/progressiva/permanente. 
58 Tônico/loção Capilar. 
59 Xampu anticaspa/anti queda. 
60 Xampu colorante.
61 Xampu condicionador anticaspa/anti queda.
62 Xampu condicionador infantil. 
63 Xampu infantil. 

 Resumindo: se quisermos lutar pelo fim da fraude e extrema tortura da experimentação animal precisamos, para começar, entender qual é de fato a realidade dos fatos. 
Ainda que correndo o risco de desagradar aqueles que preferem versões "cor de rosa" e editadas da realidade, entendamos claramente diante do que estamos.
Não existe, por força de lei, uma única empresa cuja linha de fabricação inclua produtos do chamado grupo de Risco II que possa efetivamente se proclamar como "cruelty free", mesmo porque estaria burlando os ditames da absurda lei vigente.
No máximo teremos alguns produtos específicos que podem __ ou não __ estar isentos de experimentação animal
 "Palavras ao vento" dos fabricantes não bastam. Fatos são fatos. Somos diariamente enganados e milhares de animais torturados.
Se quisermos a extinção dos testes em animais nos cosméticos brasileiros, precisamos uma real mudança nas exigências legais hoje feitas pela ANVISA.
Nunca se perguntou porque tão poucos produtos trazem a tão cobiçada identificação de cruelty free por escrito em suas embalagens?
Creio que as breves e simples informações acima, compiladas no site da própria ANVISA, fornecem a resposta.


Numa próxima postagem, faremos uma análise dos critérios (ou falta deles) adotados e métodos exigidos pela Anvisa no que diz respeito aos "ensaios pré clínicos" por ela tornados obrigatórios para a testagem dos produtos por ela considerados como pertencendo à categoria de Risco II. 
desde já antecipo que, segundo o Guia para Avaliação de Segurança de Produtos Cosméticos," ainda não é possível abandonar a utilização de animais na avaliação da segurança de produtos, por falta de métodos alternativos validados".
Ignorância é ignorância. E, como tal, de cura difícil.
Associe-se a ela uma boa apitada de falta de ética e muito dinheiro envolvido e teremos uma doença quase incurável, sobretudo quando a população não teima em se manter efetivamente informada.

Abraços,
Norah

Agradeço à Sylvie Neyret e à Sonia Sacente pela compilação e pesquisa das fontes do material que serve de base para a presente postagem, bem como para aquela que se seguirá. 
 Fontes: ANVISA http://portal.anvisa.gov.br/wps/content/Anvisa+Portal/Anvisa/Inicio/Cosmeticos/Assuntos+de+Interesse/Material+de+Divulgacao 
ANEXO 2 RDC 211 de 2005 -  legislação dos cosméticos -  estabelece a definição e classificação dos produtos Risco 1 e 2 http://portal.anvisa.gov.br/wps/content/Anvisa+Portal/Anvisa/Inicio/Cosmeticos/Assuntos+de+Interesse/Legislacoes/Registro 
Resolução - RDC nº 211, de 14 de julho de 2005  - stabelece a Definição e a Classificação de Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumes, conforme Anexos I e II desta Resolução e dá outras providências. http://s.anvisa.gov.br/wps/s/r/4N 2 )
anexo 40 2008 SANEANTES http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/1e808a8047fe1527bc0dbe9f306e0947/RDC+40.2008.pdf?MOD=AJPERES
http://s.anvisa.gov.br/wps/s/r/b7O4
http://portal.anvisa.gov.br/wps/content/anvisa+portal/anvisa/perguntas+frequentes/cosmeticos/e40d338040502acba509ad89c90d54b4
Guia para Avaliação de  Segurança de Produtos Cosméticos

http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/92f15c004e219a73a96dbbc09d49251b/Guia_cosmeticos_grafica_final.pdf?MOD=AJPERES

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014


Sobre a necrofagia, a indiferença, o calor e a matrix 

Norah André

Estamos todos vivendo os 50 graus.
Nas ruas e nas casas, um inferno diário.
Nas praias, o tom é de comemoração, em meio aos dejetos e à poluição, onde as crianças brincam e os banhistas se deliciam no mergulho em seus próprios excrementos.
Na televisão, fiel ao programa de zumbificação da população, o tom que anuncia o próximo dia de calor infernal é de euforia forjada e forçada. Claro, como atender à matrix de outra forma?
Tudo isto me meio às “grandes notícias” referidas ao futebol e à Copa, bem como ao Carnaval que se avizinha.
Alguns poucos parecem __ não tenho certeza __ atentos ao que está se instalando, o já anunciado há tanto tempo.
Solitários e desesperançados, assistem à “grande promoção” do verão tropical.
Em processo de liquidação e de "saldão" final.
Enquanto isto, os famosos “churrascos” se difundem, resultado da chacina de sempre, tornada possível não somente pelo holocausto sempre em andamento; como também este último, por sua vez, possibilitado pela grande devastação, a permanente destruição das áreas de floresta tropical e equatorial, consideradas um “impedimento” ao “avanço” e ao “progresso”. Por este e tantos outros governos mundo afora.
Pagamos todos o preço da indiferença de tantos.
Da falta de sensibilidade, de empatia e de compreensão de que toda a vida é interdependente. E de que não há como matar sem cedo ou tarde pagar o preço.
Afinal, matamos e sacrificamos o grande corpo que nos sustenta e acompanha. Como esperar resultado diferente?
Neste meio tempo, o que deveria servir de alerta final é sistematicamente construído e editado como “festa de verão”. Difícil tem sido fazer o mesmo nas temperaturas de menos 30 graus que impedem o andamento da “máquina de alienação” tão bem montada no hemisfério sul.
Afinal, com uma sensação térmica de menos 50 graus, fica difícil maquiar os fatos em “está tudo bem” no hemisfério norte. E assim nos respondem as matas queimadas, o “gado” torturado e assassinado __ hoje reclassificado como um “produto industrial” __ os oceanos assolados pela poluição e a prospecção de petróleo.
Nossas correntes marítimas estão nos enviando sua resposta, enquanto o velho sol nos brinda com sua super radiação, que vaza os buracos gerados nas camadas de ozônio em nome do “desenvolvimento”.
A ciência vendida e comprada nega os fatos.
A maioria das pessoas prefere ignorar que toda e qualquer ação resulta em consequências, como reação inevitável.
Acima de tudo, respondendo pela bestialidade que nos cozinha e encaminha, em banho maria, rumo à destruição, está a profunda indiferença com que os homens tratam as demais formas de vida.
Indiferença que se estende às próximas gerações, que dificilmente conhecerão o mundo que vivemos em meados do século XX.
Seria de se esperar que ocorresse um já muito tardio despertar de consciências, nem que fosse em nome dos próprios interesses de sobrevivência.
Mas não.
A força dos processos alienatários das corporações é tamanha que estamos sistematicamente derrubando os próprios conceitos fundamentais de auto preservação e sobrevivência da espécie.
Cansei de falar de amor. Cansei de falar de empatia. Cansei de falar de compaixão e gratidão.
Afinal, ninguém quer ouvir e desistir da grande “festa de arromba” em andamento.
Filhos? Melhor seria não tê-los tido. Netos? Menos ainda.
Não gostaria de estar aqui no mundo em que serão forçados a viver.
Divertido, pelo menos, é saber que nos tornamos o nosso próprio “churrasco”.
Nada mais justo.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

MOVIMENTO de PROTESTO - ABATE CAVALOS BRASIL

Movimento pela ABOLIÇÃO do DESCARTE de Cavalos e Burros nos matadouros do Brasil

Norah André

A exemplo do que acontece em outros países como os EUA, o Brasil começa agora __ ainda que tardiamente __ a se erguer e exigir o fim do abate de cavalos (e burros) __ equinos e equídeos __ para consumo de sua "carne".

Assunto até aqui mantido "por baixo dos panos", sem qualquer divulgação maior entre os ativistas brasileiros, pretendemos começar a dar a atenção devida a este "negócio", formalizado por decisão exclusiva dos governantes brasileiros, à revelia da sociedade.


PETIÇÃO/ em inglês para obter o apoio da comunidade internacional:

Em inglês:
http://www.avaaz.org/en/petition/END_HORSE_SLAUGHTER_in_BRAZIL_NAO_ao_ABATE_de_CAVALOS/?copy




O movimento teve início formal nas ruas de diversas cidades brasileiras, caracterizando-se por atos públicos de repúdio e conscientização da população que, em sua maioria, desconhece esta realidade.
A recepção por parte da população não poderia ter sido melhor: escândalo, repulsa e surpresa. O que gerou milhares de assinaturas impressas na petição nacional.
Desde então, temos feito mini atos de coleta de assinaturas em diversas outras cidades brasileiras e/ou contado com a ajuda de pessoas que, individualmente, tem nos ajudado neste mesmo sentido.
Na semana que passou já começamos a tentar entrar em contato com o Deputado Izar, porta voz da frente parlamentar em defesa dos animais no Congresso Nacional, bem como com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento, solicitando providências e/ou explicações sobre o protocolo de licenciamento usado para a permissão deste tipo de "atividade". Que, segundo cremos, mais parece uma forma de by passar as (ainda que insuficientes) leis de proteção animal existentes, uma vez que os "proprietários" descartam os animais já explorados de forma vil, ainda beneficiando-se financeiramente com o resultado do descarte. Vêem-se assim duplamente "motivados": livram-se do tratamento digno que deveriam oferecer aos animais __ cuidados veterinários, alojamento e alimentação adequada __ e, somado a isso, recebem compensação material pelo descarte, de forma hoje isenta de responsabilidade criminal.





Infelizmente ainda não contamos com qualquer resposta por parte dos acima mencionados, que sequer acusaram o recebimento das mensagens enviadas ...
Entretanto, estejam certos, estamos apenas começando.
Foi criada a petição em inglês, voltada para os cidadãos de outros países, exatamente com a intenção de mobilizar a opinião pública internacional, às vésperas da expectativa do governo de uma forte afluência de turistas estrangeiros com os programados eventos da Copa e das Olimpíadas aqui no país.
Definitivamente, não pretendemos desistir do assunto.

Abaixo, alguma imagens dos atos públicos ocorridos neste mês de maio.

Curitiba
org: Amanda Juraszek Simão  & Marlene Chaves






Campo Grande, MS

org: Carmen Amorim




São Paulo, SP
org: Sonia Sacente





Taubaté, SP
org: Maria Cristina Lessa & Rosângela Coelho




Em Taubaté conseguimos a veiculação pela TV Cidade de matéria associada ao abate de cavalos no Brasil, com apresentação pela TV em rede aberta de cenas reais de matadouros de equinos. Fato inédito no Brasil, pelo que sei.
Video da entrevista dada Maria Cristina Lessa e Rosângela Coelho:
http://www.youtube.com/watch?v=JVFOE8iBW0E&feature=youtu.be

Porto Alegre
org: Zaire Weisheimer





   

Belo Horizonte
org: Janine Guido & Evandro Silva





Rio de Janeiro

org: Laura Pereira de Melo




segunda-feira, 6 de maio de 2013

ABATE de CAVALOS - BRASIL Parte II


Abate de Cavalos Brasil - Parte II

 Norah André

Escolhi esta imagem intencionalmente para abrir esta postagem. Tirada durante uma "cavalgada festiva", em que cavalos foram forçados a correr nestas condições durante 70 km em Difunta Correa, San Juan, Uruguai na semana passada.

Perfeita ilustração de quem são os "empresários" uruguaios e sua mentalidade em relação aos cavalos de quem se servirão como "mercadoria de exportação" aqui no Brasil.
Perfeita ilustração, ainda, de quem são os cavalos assassinados em suas instalações.
Aqueles que, depois de uma vida de extremo maus tratos e exploração, serão destinados a uma "reciclagem" considerada lucrativa e aceitável por seus "donos" anteriores, uma vez que passam a ser percebidos como um "fardo" ou como "sem qualquer utilidade" posterior.

Este é o único ponto, aliás, em que a realidade dos matadouros de cavalos e burrinhos consegue superar a infinita bestialidade de outros matadouros. Suas vítimas são duplamente abusadas: primeiro num período em que "trabalham" como máquinas ou são percebidos como "equipamento de esporte", seguido da chacina usual nos matadouros, a eles dispensada como "pagamento" pela exploração anterior.

Vejamos quem são os pobres animais conduzidos aos corredores dos matadouros de cavalos. A imagem abaixo, tirada no próprio Prosperidad no ano passado, ilustra:



Um  animal dócil, habituado ao convívio humano, entra inescapavelmente para encontrar seu destino final. 
Quem são eles? De onde vem?

Especismo

O que explica esta possibilidade de acharmos "natural" o consumo de certos animais como 

"carne"?


E explica também porque isto ainda é, infelizmente, um hábito disseminado socialmente?


O nome disso é ESPECISMO, algo em que fomos doutrinados desde pequeninos e que faz 

com que a maioria das pessoas ainda ache que "certos animais" tem direitos diferentes dos 

de "outros animais", todos igualmente subordinados aos direitos de outro animal: o homem.

Muitos de nós ainda não acordaram desta GRANDE e PERVERTIDA ILUSÃO .....

Uma ideologia pervertida responsável por inúmeros genocídios e holocaustos, inclusive o 

humano. 

Uma grande droga alucinatória, de efeitos muito mais graves e extensos que o LSD.


O nazismo acreditava que certas "raças" era inferiores e com isso justificava a sua 

EXPLORAÇÃO sob a forma de mão de obra escrava. E posterior EXTERMÍNIO.

Pouco mudou: o mundo continua fazendo EXATAMENTE o mesmo com os animais não 

humanos.






Especismo, cavalos e abate

Como, segundo a ideologia especista que ainda prevalece, os cavalos "estão no mundo para nos servir" __ assim como qualquer outro animal __ , muitos acreditam que é perfeitamente legítimo usá-los como "animais de carga". 
Toda a sua energia vital é posta a serviço das "necessidades humanas", sem qualquer consideração pelos interesses próprios da espécie. Uma vez exaustos, depois de uma vida inteira de imensa EXPLORAÇÃO, quando são considerados "imprestáveis", estas mesmas pessoas acham natural vendê-los para o ABATE. 
Este funciona como DESCARTE dos mesmos animais que os serviram por anos a fio. 
"Não presta mais"? 
Não gasto mais um centavo com você. 
Vendo você para o ABATE, e ainda "tiro uns trocos" ....




Que brasileiro volta e meia não se depara com uma visão assim? 
Um cavalo magro, mal tratado, explorado até a exaustão, sem qualquer respeito por sua vida, sua dignidade ou mesmo sua saúde? 
Se você é especista, você acredita que os "direitos" dele __ se é que existem __ não são iguais aos seus. Portanto o que haveria de mal nisso? Ou em enviá-lo para o descarte, "quando ele não presta mais para o serviço", mandando-o para um MATADOURO? 
Há muita "gente" que acredita que isto seria uma "boa solução para todos" .....




Mas não imagine que a coisa fica por aí.... Vai ficar bem mais feia ainda ... 
Muitos acham que os cavalos "servem" para "nos divertir" ..... 
Até que alguma coisa dá errado .... e eles se machucam ........ aí as coisas mudam de figura .... De companheiros inseparáveis viram "um problema" .........
De "fonte de lucro" e "objetos de cuidados imensos com sua saúde", passam a coisas sem qualquer utilidade ou valor .... um fardo ....




Tem gente inclusive que ganha muito dinheiro com "as apostas" ..... nas corridas de cavalos .... Enquanto ganham são tratados como príncipes .... 

Afinal, dão LUCRO. E MUITO. 
E quando passam a perder ou se machucam? 
Experimente entrar no Jockey Club, por exemplo, aqui do Rio .... Lá constantemente estão dando cavalos "usados" para quem quiser/puder levá-los .... 
Porque não "ganhar uns trocados" e vendê-los para o abate? ....



Isto, sem mencionar os cavalos considerados "inferiores" nascidos nos haras ....

Assim, entre as vítimas, temos desde cavalos velhos, exaustos e doentes, numa ponta, até, no outro extremo, cavalos musculosos, jovens, "de raça", que "não prestam para mais nada" ....

É assim no Brasil, é assim no México, tem sido assim nos últimos dois anos nos EUA e há tempos imemoriais no Canadá.
Com a diferença de que entre os países conscientes, já uma forte movimentação contra esta prática, o que aqui no Brasil e no México não acontece. Pelo menos até aqui.
Em todos estes países, sobretudo aqui no Brasil, a maior parte dos cavalos "processados" como chamam, é vendida como "carne" para consumo da União Europeia, sobretudo da Bélgica, o maior importador do genocídio aqui no Brasil.

No video que postei no YouTube uma alma infeliz resolveu nos presentear com sua "sapiência" e dizer que o acima era mentira.
Infelizmente não é. 
No Brasil __ nem em qualquer outro lugar do mundo __ há "criações de cavalos para consumo humano". Trata-se sempre de um DESCARTE de animais considerados "inúteis ou indesejáveis".
Não por ética, é claro. Mas devidos a "probleminhas e considerações" financeiros.
Na verdade, como sempre, as únicas restrições à inconcebivelmente  sórdida exploração animal.

- A criação de cavalos para "consumo" é "economicamente inviável".

Perguntas e respostas que caracterizam bem QUEM são os cavalos abatidos aqui no Brasil: os considerados "decartáveis". 
P. Existem criadores de cavalo para abate registrados? 
R. "Não há relato de nenhuma criação de cavalos pra abate no Brasil." 
P. Há uma diferença significativa de gastos se compararmos a criação de gado para corte e cavalos? 
R. "Sim, comparado à criação de gado de corte, criar cavalos para corte seria completamente inviável, o cavalo demanda muito mais custos que os bovinos a começar pela sua péssima conversão alimentar ou seja, o cavalo é muito mais difícil de engordar, depois pela sua alimentação extremamente seletiva ou seja, enquanto o boi é pouco seletivo e consome qualquer pasto, o cavalo é extremamente seletivo, ele não consome o que ele não gosta.
O bovino, por ser ruminante, é capaz de transformar mesmo uma alimentação de qualidade média ou ruim em proteína de boa qualidade pois as bactérias presentes no rumem fazem todo um trabalho de quebra dos alimentos em ácidos graxos, os quais serão efetivamente absorvidos pelo organismo dos bovinos, desta forma um alimento de qualidade inferior pode se tornar uma proteína de alto valor nutritivo, já o cavalo não é ruminante, ele é monogástrico, seu metabolismo é extremamente diferente comparado ao dos bovinos, os cavalos possuem um metabolismo mais parecido com o humano do que com o bovino, nisso ele não consegue transformar alimento de má qualidade em nutrientes de valor, isso também causa um aumento de custo significativo quanto à alimentação. 
O cavalo é muito mais sensível que os bovinos, fica doente muito mais fácil, com muito mais frequência e é muito mais fácil algo dar errado, em outras palavras, gastos com veterinários são mais elevados, sem comentar que geralmente veterinários de cavalos atendem cavalos de esporte, lazer e companhia, nisso o valor cobrado pelo veterinário que atende um equino é muito maior do que o valor cobrado para um atendimento em uma criação de bovinos de corte, outro detalhe é que o veterinário de equídeos atende o indivíduo enquanto o veterinário que atende produções de bovinos de corte visa o coletivo, a saúde do rebanho é mais levada em consideração. O pasto é mais caro, a estrutura necessária à criação dos cavalos é muito mais onerosa, mesmo se pensar em raças grandes como Percheron, Clydesdale e Shire, ainda assim tudo isso citado é válido, mesmo um cavalo que atinge mais de 1 tonelada de peso tem uma conversão alimentar péssima comparada a de um bovino normal. 
Outro fator é o tempo de crescimento do cavalo, um cavalo demora pelo menos 3 vezes mais que um bovino para crescer e, consequentemente, adquirir peso. 
Tudo são fatores que, levando em consideração tornaria inviável a criação de cavalos para abate. 
Então, o que torna viável o abate de cavalos? Justamente o que mencionei, a grande maioria dos cavalos abatidos, são animais que foram descartados por algum motivo, dessa forma, muitas vezes o frigorífico adquire estes animais a custo muito baixo, muito menor do que ocorre me bovinos e as vezes até sem custo e reitero que esta situação (a atual, se tratando de equinos) é extremamente inadequada ao se considerar a produção de alimentos para consumo humano." 
Gabriel Schwartz , médico veterinário


- Além dos aspectos ÉTICOS ÓBVIOS que moralmente CONTRA INDICAM o consumo da "carne" de QUALQUER ANIMAL __ além dos malefícios à saúde humana e ao planeta, há muito já estabelecidos __ há outros aspectos envolvendo o consumo da "carne" de cavalo especificamente. 

- I -Já ouviram falar em ANEMIA APLÁSTICA
É uma das consequências da Fenilbutazona no ser humano. Para quem não sabe Fenilbutazona é basicamente um dos mais comuns anti-inflamatórios utilizados em equídeos; como veterinário não conheço um cavalo sequer que nunca tenha tomado fenilbutazona. Outro detalhe é que esta droga não possui período de carência. 
Dessa forma. mesmo que uma única vez administrada, a carne do animal se torna imprópria para consumo. A Europa não está toda preocupada, que o sistema de inspeção e segurança alimentar deles entrou em crise a toa só porque era cavalo, é porque representa risco sim à saúde, é porque é uma questão de saúde pública sim. Foram encontrados em testes até mesmo metais pesados na carne de cavalo que são extremamente tóxicos. 
 Agora comentando sobre a crueldade do negócio, para começo de conversa a "arma" utilizada em abatedouros não é feita para matar, a morte deve ocorrer na sangria, se o animal morre antes disso é considerado um erro no processo; pesquisas demonstram que cavalos levam menos de 3 minutos para recuperar a consciência após serem "insensibilizados" e, também que leva 5 minutos para que a perda de sangue na durante a sangria seja suficiente para evitar a retomada de consciência e permitir a morte. 
 Há um trabalho, em particular, que buscou verificar a reação de equinos perante a morte, o estudo analisou respostas desde eutanásia, morte natural até abate. Sendo que os equídeos que presenciaram mortes induzidas (ou seja, qualquer tipo de morte exceto a natural) demonstraram altíssimo nível de estresse, mesmo quando não viram o cavalo morto, ao encontrarem sangue já demonstraram um nível de estresse alto. 
Este trabalho chega a citar que o estresse e medo que os cavalos sofrem em abatedouros é tamanho que muitos entram em pânico. Reforço, que cavalo é muito mais sensível e sensitivo que a maioria das outras espécies, reconhece muito mais o ambiente, e reage muito mais a ele, desta forma sendo muito mais facilmente assustado. 
 É impossível considerar "humanitário" o abate de cavalos ou até mesmo aceitável, aliás, o termo humanitário nem deveria ser empregado neste contexto uma vez que independente de como é feito, ao abater um animal se está infringindo dano a ele, não existe abate bom, vai matar, é morte, assassinato e pronto. 
 Cavalos são criaturas fascinantes, são maravilhas da física, qualquer um que estude cavalos verá que são perfeitos, seu equilíbrio, biomecânica, distribuição de forças, mecanismos de dissipação de forças também, conservação de energia e tudo mais, sem falar nos laços afetivos que os cavalos criam com o homem; um cavalo e sim o melhor amigo do homem, o mais fiel e companheiro, quando um cavalo gosta de você, ele faz de tudo por você. Chama-se empatia. 
 Tudo o que estou falando não é só o que acho, cada detalhe aqui está documentado e há artigos científicos comprovando, basta procurar, plataformas SCOPUS, PUBMED, GOOGLE ACADÊMICO servem pra isso. 
 Agora, com certeza alguém sempre vai querer mencionar o conceito de cultura, já começo dizendo que cultura é algo mutável e que não deve permanecer estática, se há uma injustiça, se há algo de impróprio nesta "cultura" deve sim ser desconsiderado e removido, assim como escravidão já foi considerado cultura local, assim como canibalismo podia ser considerado cultura de certos povos, cultura muda. 
[...]  encerro dizendo que, a maior injustiça de todas é apunhalar pelas costas (ou no caso degolar) um amigo que tudo faz por você. 
 O cavalo teve importância singular na história e desenvolvimento da humanidade, nenhum outro animal sequer se compara à importância que o cavalo teve em inúmeras conquistas, muitos acontecimentos decisivos só foram possíveis graças ao cavalo e ninguém venha me dizer que outro animal poderia fazer o mesmo papel pois nenhum tem a capacidade de se locomover tamanhas distâncias em tempo tão reduzido quanto o cavalo, diplomacias, comércio, comunicação entre povos, correios, construções de impérios e civilizações grandiosas, tudo com ajuda dos cavalos, seres que até meados do século 20 ainda sustentavam, de forma essencial, todas as sociedades estabelecidas. O cavalo, sem dúvida alguma é nosso melhor amigo e se quer a minha opinião mais sincera não se trai um amigo, muito menos de forma tão cruel como é feito com os cavalos." 
Gabriel Schwartz, médico veterinário



- II - Outro "efeito colateral" do abate de cavalos para consumo de sua "carne" é o ROUBO de ANIMAIS com esta finalidade. Este tipo de roubo de animais chama-se ABIGEATO. O ladrão consegue com isso inclusive DIZIMAR as evidências da autoria do crime. Aqui no Brasil não é diferente do que acontece em outros locais. 
Na verdade, é MUITO PIOR, uma vez que nossa polícia mal consegue prender os homicidas de humanos ..... 
http://www.examiner.com/article/miami-horse-stolen-from-stall-and-slaughtered-while-her-colt-looks-on

- Em favor da VIDA dos nossos cavalos até o momento? 
Apenas 2 fatos: 
- o escândalo do consumo da carne de cavalo embutida nos alimentos vendidos no mercado europeu, o que não impede os belgas, no entanto, de consumí-la fartamente ... 
- o achado de medicamentos anti-inflamatórios na "carne de cavalo" vendida na UE, proveniente do México e Brasil. 
Como os animais são assassinados, a medicação um dia dada a estes pobres animais, mantêm-se em sua "carne" quando abatidos. Este inflamatório é perigosíssimo para a saúde humana... 
Não que eu esteja preocupada com a "saúde humana", bem entendido.

Resumindo
Não bastasse a EXECRÁVEL realidade dos MATADOUROS de qualquer animal, os cavalos mortos e despedaçados vem de toda uma vida de ininterrupta exploração ou abandono ... 




Animais não são "moeda", não são "coisas", não são "objetos", não são "mercadorias", não são "commodities", não são "máquinas", não são "propriedade", não são "diversão", não são "comida" ..... 
Que pedaço disto falta entender ??? 
Tomos tememos a morte e todos temos DIREITO à VIDA e à DIGNIDADE, pelo tempo de nossas vidas naturais, enquanto não se esgota a nossa energia vital ..... 
REAJA e faça a sua PARTE. 
Mude seus hábitos alimentares!

Namaste.

ABATEDOUROS de CAVALOS - BRASIL I


Protesto contra o Abate de Cavalos - Brasil

Norah André
Neste último fim de semana, nos dias 04 e 05 de maio, seis cidades (apenas, infelizmente) foram às ruas em atos públicos de protesto contra o abate de cavalos para exportação de sua "carne" para a União Européia. O protesto originou-se a partir da informação de que será reaberto em junho agora, em Araguari, Minas Gerais, o antigo abatedouro Pomar, que responde agora pelo nome de Prosperidad, de propriedade de uruguaios. Numa próxima postagem divulgarei algumas fotos dos protestos. Mas mais importante do que isso, é levar ao conhecimento da maioria de pessoas possível o que aqui acontece já há tempos e que voltará a ser "incentivado" naquele município. Por isso, primordialmente, achei importante divulgar algumas imagens tiradas dentro daquele abatedouro,antes de seu fechamento temporário. 


PETIÇÃO:
em inglês, de forma a obtermos o apoio da comunidade internacional:







Como vêem as cenas são do mais puro terror. Mas dada a dificuldade de obter este tipo de imagem __ uma vez que o local nega constantemente o acesso inclusive a médicos veterinários, limitando-se a receber os "clientes potenciais" __ considero este um tipo de serviço de utilidade pública para o ativismo brasileiro, até hoje praticamente inexistente neste assunto, ao contrário do que acontece em países como os EUA e o Canadá .






As duas imagens acima foram selecionadas, entre muitas outras, para caracterizar quem são os cavalos vítimas deste destino trágico, a realidade de qualquer matadouro. Com a diferença de que os cavalos assassinados não são "os criados para isso" , mas as vítimas do abandono exploração anterior em carroças, charretes, hipismo, os "menos favorecidos nascidos nos haras", cavalos usados em corridas, cavalos anteriormente explorados no hipismo e que se machucaram.
Isto fica facilmente demonstrado pelas ferraduras que este pobre cavalo exibe, em sua agonia.



Até que dele são retiradas a cabeça e as patas ....

Eu poderia continuar a postar imagens hediondas deste tipo indefinidamente, infelizmente.
Entretanto, disponibilizo apenas mais algumas das muitas que pude obter, por questões de espaço disponível neste blog.








Todas estas tristes imagens __ repugnantes __ tem uma mesma procedência: o abatedouro Prosperidad, em breve reaberto e com a intenção de "processar" 1 MIL cavalos/dia.
Para o que contam inclusive com o suporte e os "agradecimentos" pelos "serviços prestados" da prefeitura local, conforme publicado em abjeta matéria da Gazeta do Triângulo em 2012:

Frigorífico é referência no abate de equinos e equídeos

Além da impropriedade do ponto de vista ético, a informação oferecida é extremamente enganosa, uma vez que a movimentação econômica do município poderia ser consideravelmente mais beneficiada caso se dispusessem, por exemplo, a substituir a chacina destes animais por locais em que fosse realizada a equinoterapia, capaz de dar dignidade a ambos, cavalos aposentados e humanos com necessidades especiais.



Segue abaixo um link que, embora de 2006, ainda serve como referência na área. Aqui é demonstrado por A + B, que o "agradecimento" feito aos sanguinários é absolutamente impróprio também materialmente, uma vez que CAVALOS VIVOS geram mais empregos __ diretos e indiretos__ e mais movimentação econômica do que antros de assassinato destes animais.
http://www.cepea.esalq.usp.br/pdf/cavalo_completo.pdf

É evidente que a publicação acima não serve como referência às nossas intenções aqui, mas serve apenas para rebater o "agradecimento", uma vez que compara diferentes tipos de exploração animal, destinada como foi aos pecuaristas. Se a citamos é apenas pela referência que faz a uma estatística econômica, que nos interessa apenas como uma prova contra o argumento "valor econômico" desta atividade genocida especificamente.

Qualquer matadouro é VIL e indigno.
Qualquer matadouro é torpe, inescrupuloso, ao arrancar a vida de seres sencientes como "negócio".

E isto, aqui, é para ser considerado uma "sobra", um "sub produto"?



É isto que muitos ainda servem à mesa como "comida", não importa se proveniente do assassinato sistemático, em escala industrial, de cavalos, vacas, porquinhos, burrinhos? ....




 Voltando ao assunto Rede Esgoto e seus asseclas. 
 Em programinha de terceira categoria, já comentado neste blog em outra postagem, ela promovia a anunciante FRIBOI já antecipadamente, ao falar de matadouros clandestinos e da insalubridade. Sem qualquer preocupação com a causa dos direitos animais. 
Neste fim de semana, ela voltou a se superar. 
Exibiu um programinha em que se referia à vida difícil dos FUNCIONÁRIOS de abatedouros, em NADA se preocupando com a vítimas ali assassinadas. Ou seja, sem nenhum compromisso com a VERDADE por INTEIRO e, evidentemente, sem qualquer preocupação ética, o que já seria de se esperar.

http://g1.globo.com/globo-news/noticia/2013/05/documentario-carne-e-osso-mostra-dura-rotina-de-quem-trabalha-em-frigorificos.html





Continuo depois .... 
Namaste